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A vida antes da política explica a política dele.

Do pau de arara ao parlamento: fila de matrícula, concurso público e 16 anos dentro de uma cadeia.

Reginaldo Rocha Sardinha Goes chegou a Brasília ainda criança. A mãe, nordestina, veio sozinha, criando três filhos — o do meio com deficiência. A família se instalou num apartamento do Cruzeiro Novo e passou seis meses dormindo no chão forrado de jornal, até a vida começar a arrumar.

Ele estudou em escola pública do primeiro ao último ano. Foi alfabetizado na Escola Classe 4 do Cruzeiro, passou pela 304 Sul e pela 103 Sul — onde ficou da primeira à oitava série e saiu como o aluno mais antigo da escola. O segundo grau, no Setor Leste, exigiu quatro dias dormindo numa fila de matrícula. Eram 30 vagas. Ele ficou em 30º.

Formou-se em Direito, com pós-graduação em Direito Penal. Em 1999, passou no concurso da Polícia Civil do Distrito Federal e assumiu como agente de custódia — o primeiro local de trabalho foi dentro de uma cadeia. Seriam 16 anos como carcereiro, chefiando o setor que recebia, cadastrava e cumpria alvará de soltura de todos os presos de Brasília.

Em 2015, foi convidado para chefiar o Gabinete da Administração Regional do Cruzeiro. Recém-saído do sistema prisional, preferiu começar de baixo: pegou o caminhão e foi limpar a cidade junto com as equipes. Pouco depois virou administrador regional do Cruzeiro e, em seguida, do Sudoeste, Octogonal e SIG.

Em 2018, foi eleito deputado distrital com 6.738 votos, numa campanha de baixo custo. Na Câmara Legislativa, presidiu duas vezes a Comissão de Constituição e Justiça, integrou a Comissão de Assuntos Fundiários e foi eleito 3º Secretário da Mesa Diretora com a votação de todos os 24 deputados — da direita à esquerda.

Em 2022, obteve 20.107 votos e ficou na primeira suplência por 117 votos. Assumiu o mandato em seguida e nunca parou de andar pelo Distrito Federal.

É casado há mais de 25 anos com Keila. Tem duas filhas — uma de direita, outra de esquerda, como ele mesmo gosta de contar. É católico, da Paróquia Santa Teresinha, no Cruzeiro.

Sardinha, 33123. Não precisa acreditar — vai lá ver.

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