← Início

A vida antes da política explica a política dele.

Do pau de arara ao parlamento: fila de matrícula, concurso público, 16 anos dentro de uma cadeia e a unidade prisional que ele virou do avesso.

Reginaldo Rocha Sardinha Goes nasceu em 30 de agosto de 1975, em Anápolis, Goiás. A família é maranhense; a mãe pegou a estrada até a cidade goiana por medo de complicação no parto, porque um dos filhos mais velhos havia nascido com deficiência e lá o hospital tinha mais estrutura.

Política, ele carrega dos dois lados. O bisavô paterno, Joaquim Sardinha, foi deputado estadual no Maranhão no começo do século XX. A avó materna foi uma das primeiras vereadoras do Maranhão, em Porto Franco — e teve de renunciar, numa época em que mulher em cargo eletivo incomodava até dentro de casa.

Aos 4 anos ele chegou a Brasília, praticamente num pau de arara, com a mãe e os dois irmãos mais velhos. A família se instalou no Cruzeiro Novo em dificuldade extrema: nos primeiros seis meses não havia cama em casa, e todo mundo dormia no chão forrado de jornal, sob coberta improvisada. Para sustentar os três, a mãe foi sacoleira de cosméticos, vendeu carro e depois vendeu joia. Ele é o caçula — e os três irmãos foram criados, formados e estão em plena atividade.

Ele estudou em escola pública do primeiro ao último ano. Foi alfabetizado na Escola Classe 4 do Cruzeiro, passou pela 304 Sul e pela 103 Sul — onde ficou da primeira à oitava série e saiu como o aluno mais antigo da escola. O segundo grau, no Setor Leste, exigiu quatro dias dormindo numa fila de matrícula. Eram 30 vagas. Ele ficou em 30º.

Na hora do vestibular estava indeciso e se inscreveu em cinco cursos. Passou em Zootecnia, desistiu, prestou de novo e entrou em Direito, onde se formou e fez pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal. A fome de estudo não passou: hoje cursa Teologia a distância. A frase que ele repete é curta: quem para de aprender, para de servir.

Em 18 de agosto de 1999 passou no concurso da Polícia Civil do Distrito Federal e assumiu como agente de custódia — o primeiro local de trabalho foi dentro de uma cadeia. Seriam 16 anos no sistema prisional, como carcereiro, cargo que hoje se chama policial penal, passando pelo Núcleo de Custódia, pela Funap e pelo Centro de Progressão Penitenciária, e chefiando o setor que recebia, cadastrava e cumpria alvará de soltura de todos os presos de Brasília.

A unidade que era a quarta pior do país

No Centro de Progressão Penitenciária ele assumiu uma unidade considerada a quarta pior do Brasil, dividida entre as alas que os próprios presos chamavam de céu e de inferno, com parte da estrutura destruída por um incêndio. Ele não chegou lá com discurso. Chegou com escola.

Entregou a unidade como a única do país a cumprir todas as metas do Conselho Nacional de Justiça naquele momento. O número de detentos estudando saltou de 4 para 444: vinte e dois chegaram à faculdade, um ao mestrado, e a unidade venceu o concurso nacional de redação dos presos. Dali saiu a frase que ele usa até hoje: uma vida recuperada lá dentro protege várias vidas aqui fora.

Vinte anos antes de a pauta virar moda

Em 2003, num computador 486, ele escreveu a proposta inicial da emenda que daria origem à Polícia Penal no Brasil. No mesmo ano, como diretor jurídico da associação nacional da categoria, reuniu presidentes de sindicatos de todo o país no Fórum Nacional de Assuntos Penitenciários e assinou a Carta de Brasília, que pediu ao Ministério da Justiça a criação do agente penitenciário federal. Ele não criou a Polícia Penal sozinho, e não é isso que diz — mas o texto fundador saiu da mão dele, e a trilha tem vinte anos de data comprovável.

Pouco depois, deu aula para a primeira e a segunda turmas de agentes penitenciários federais do Brasil, formadas pelo sistema do Distrito Federal.

O gestor que preferia a rua ao escritório

O sonho dele era ser secretário de Segurança — os bastidores. O rumo mudou numa conversa de quinze minutos com o ex-governador Joaquim Roriz, que ouviu sobre o trabalho no presídio e disse que aquele presídio era pequeno demais para ele: o lugar dele era administrando cidade.

Em 2015, foi convidado para chefiar o Gabinete da Administração Regional do Cruzeiro. Recém-saído do sistema prisional, preferiu começar de baixo: pegou o caminhão e foi limpar a cidade junto com as equipes. Pouco depois virou administrador regional do Cruzeiro e, em seguida, do Sudoeste, Octogonal e SIG.

Foi ali que criou o primeiro conselho administrativo comunitário da cidade — síndico, prefeito de quadra, comerciante e morador sentando todo mês para definir prioridade — e o primeiro conselho para pessoas com deficiência, de onde saíram mais de 33 rampas de acessibilidade e 10 km de calçada acessível. Nasceu ali o apelido de homem do concreto armado e o método que ele chama de política do cafezinho: resolver olhando no olho.

O deputado que escolheu a educação

Em 2018, foi eleito deputado distrital com 6.738 votos, numa campanha de baixo custo. Na Câmara Legislativa, presidiu duas vezes a Comissão de Constituição e Justiça, integrou a Comissão de Assuntos Fundiários e foi eleito 3º Secretário da Mesa Diretora com a votação de todos os 24 deputados — da direita à esquerda.

Surpreendeu ao escolher a educação, e não a segurança, como bandeira número um. A explicação dele cabe numa linha: passou a vida em escola pública. Destinou emenda para reformar, ampliar e equipar 160 escolas públicas, do Plano Piloto à zona rural — mais de 60 delas rurais. Entre elas, a Escola Classe Córrego do Meio, em Planaltina, cuja sala de aula era uma telha de amianto no meio do pasto, sem cerca, com animal circulando ao lado.

Foi almoçar numa escola pública, sentou com as crianças e viu a almôndega que serviam. Dali saiu a Lei 6.475/2020, que tirou o embutido e o ultraprocessado da merenda da rede pública do DF — hoje copiada por outros estados. E criou o Gabinete Itinerante, levando o atendimento para terminal de ônibus e feira, em vez de esperar o eleitor subir a rampa da Câmara.

Ao todo, foram 23 leis de autoria — catorze delas estruturantes, que mudam diretamente a vida de alguém. Estão todas listadas, com número e data, na página das leis.

Em 2022, obteve 20.107 votos e ficou na primeira suplência por 117 votos. Como deputado ou como administrador, nunca mais parou de andar pelo Distrito Federal.

Em 2025, filiou-se ao Mobiliza 33, partido de centro-direita.

Tem duas filhas — uma de direita, outra de esquerda, como ele mesmo gosta de contar. Vive com sua esposa Kamila Maneta. É cristão e frequenta a Igreja Rainha da Paz da Octogonal. Joga xadrez, onde diz treinar a estratégia; fez nove anos de capoeira; e resume a própria rotina sem romantismo: política não tem fim de semana.

Sardinha, 33123. Não precisa acreditar: vai lá ver.

Participe

Esse mandato nunca foi dele. Sempre foi nosso.

Deixe seu nome e seu WhatsApp. A gente avisa quando o Sardinha estiver na sua região.

Escreva seu nome para a gente saber com quem fala.

Faltam dígitos: precisa ser DDD + número, como (61) 90000-0000.

Leva 20 segundos. A campanha nunca pede CPF, título de eleitor nem dado bancário. Se alguém pedir em nome do Sardinha, não é a campanha. Como seus dados são tratados.

Recebido. Obrigado por entrar nessa. A gente avisa quando o Sardinha estiver na sua região.

Prefere ajudar sem preencher nada? Bota a moldura na sua foto de perfil: leva dez segundos e a foto nem sai do seu celular.